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Mylla Rodrigues analisa a Chanel verão 2027 na Paris Fashion Week e traduz tweed, alfaiataria, transparências, cores e acessórios para as mulheres capixabas.
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- Matthieu Blazy completou um ano à frente da Chanel e apresentou a coleção de verão 2027 na Paris Fashion Week.
- O desfile aconteceu no Grand Palais, com pássaros luminosos suspensos, piso espelhado e referências à liberdade.
- O tweed apareceu em versões mais leves, abertas, desfiadas e vazadas, enquanto a alfaiataria trouxe blazers oversized, calças largas e coletes.
- A coleção apresentou transparências, corseteria, vestidos fluidos, saias lápis, franjas, plumas e cintura baixa.
- A paleta combinou neutros como bege, nude, preto, branco e cinza com pontos de vermelho, azul, amarelo, verde e rosa.
- A fila final do desfile foi embalada por “Gimme More”, de Britney Spears, com a presença de convidados como Dua Lipa e Nicole Kidman.
O clássico ganhou asas e voou
Por Mylla Rodrigues | ClosetMy
Matthieu Blazy completou um ano à frente da Chanel e decidiu comemorar dando asas à sua criatividade.
No verão 2027, o Grand Palais virou um céu particular da maison durante a Paris Fashion Week. Pássaros luminosos suspensos, piso espelhado e uma atmosfera que antecipava a mensagem da coleção: liberdade.
As aves pousaram também nas roupas, nas pequenas andorinhas douradas, nas joias e nos detalhes. Uma referência à própria Coco Chanel e à ideia de ser “livre como um pássaro”.
E liberdade, aqui, significou inclusive ter intimidade suficiente com os códigos da Chanel para bagunçá-los.
Tweed, alfaiataria e novos códigos da Chanel
O tweed, tecido símbolo da maison, continuou lá. Seria quase pedir para a camélia entregar a carta de demissão se não estivesse.
Mas apareceu renovado, tecnológico, em versões mais leves, abertas, desfiadas e até vazadas como uma rede.
Os casaquetos encurtaram, enquanto a alfaiataria fez aquele empréstimo sem previsão de devolução no guarda roupa masculino: blazers oversized, calças largas, coletes e proporções generosas.
Uma mensagem interessante aparece daí:
feminilidade não precisa significar roupa justa.
A coleção passeou ainda pela lingerie, transparências, corseteria, vestidos fluidos, saias lápis, franjas, plumas e referências aos anos 1920.
E teve cintura baixa.
Calma! Ninguém precisa reviver todos os traumas fashion dos anos 2000.
Blazy revisitou diferentes capítulos da história de Coco Chanel sem transformar a passarela em fantasia de época.
E aí está uma lição que gosto especialmente: recriar referências.
Chanel no closet das capixabasPorque entre o Grand Palais e os nossos 30 e tantos graus do Espírito Santo existe uma pequena questão chamada sensação térmica.
A paleta apresentada pela Chanel facilita essa tradução.
Os neutros dominaram: bege, nude, preto, branco e cinza formaram a base da coleção. Mas vermelho, azul, amarelo, verde e rosa apareceram estrategicamente para impedir que o verão caísse no modo “corporativo”.
Para a capixaba, funciona muito bem a fórmula:
base neutra + cor protagonista.
Um conjunto vermelho com saia de duas texturas e blazer com correntaria, combinado a uma regata de seda branca, poderia perfeitamente vestir uma palestrante ou empresária em uma reunião de negócios.
Uma calça social reta preta com blusa bege de gola canoa pode construir um office look dentro da lógica do menos é mais.
Já um conjunto verde menta texturizado, com saia longuete em movimento e scarpin colorido, quebra o excesso de seriedade e poderia vestir a anfitriã de um lançamento de marca, por exemplo.
Como adaptar Chanel ao clima do Espírito Santo
Nas modelagens, o casaqueto cropped pode trocar o tweed pesado por linho, crepe texturizado ou tramas leves.
Pode aparecer aberto sobre uma regata e ser combinado a saia reta, bermuda de alfaiataria ou pantalona.
E a cintura baixa?
No dia a dia das capixabas, ela pode aparecer de forma menos literal.
Um cinto usado mais próximo ao quadril sobre um vestido fluido ou uma saia de cós intermediário já atualizam a silhueta sem exigir terapia fashion depois.
As transparências entram com a mesma lógica.
Organza, tule e tecidos vazados sobre bodies, tops e combinações fazem aquele jogo que considero muito mais interessante:
mostra, mas conversa antes.
Franjas e plumas podem ficar nos detalhes.
E os pássaros, protagonistas do desfile, podem virar broche dourado, brinco escultórico ou pingente.
Tendência não precisa virar fantasia para ser reconhecida.
Chanel, Britney e a liberdade de não levar a moda tão a sério
Depois de tanta história, tweed e códigos centenários, a fila final veio ao som de “Gimme More”, de Britney Spears, com a plateia cantando junto.
Entre os convidados estavam nomes como Dua Lipa, Nicole Kidman, Ana Paula Siebert Justus e esta estilista que vos fala, Mylla Rodrigues.
Chanel com Britney?
Sim.
Talvez esteja justamente aí o melhor resumo dessa coleção:
você pode carregar mais de um século de história nas costas e ainda saber se divertir com a roupa.
No ClosetMy, traduzimos assim:
o verão 2027 não pede que você abandone seus clássicos. Ele convida você a fazê-los voar.
Menos “isso pode?”.
Mais “como eu faria isso do meu jeito?”.
Porque tendência passa, o calor capixaba permanece e repertório, ah, esse nunca sai de moda.
Mylla Rodrigues | ClosetMy
Jornalista, consultora de imagem e estilo e mente criativa da ClosetMy.
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